Publicações

Os textos abaixo estão protegidos por Direito Autoral. No entanto, eles podem ser reproduzidos livremente, desde que citada a seguinte referência:

Giannini, T.C. & Amaral, C.A. 2012. Reflexões sobre o ser. 1ª edição. São Paulo, imagomundi. ISBN: 978-85-914167-0-7.

Últimos textos:

Os Três Centros Primários da Máquina Biológica Humana 

Os Centros podem ser entendidos como um modelo estrutural que agrupa diversas funções que permitem o aprendizado, atuação e desenvolvimento da personalidade, possibilitando que o indivíduo se torne viável em seu meio. Participam também no processamento dos estímulos e sensações do dia a dia, gerando os comportamentos, respostas e atitudes cotidianas. Inicialmente são apresentados três Centros (Motor, Instintivo e Sexual) que correspondem às funções primárias do funcionamento de uma estrutura que as escolas do Quarto Caminho definem como sendo a Máquina Biológica Humana.

Centros Superiores 

Os Centros Superiores representam um conjunto de funções da consciência que extrapolam os estados mais comuns de ser e de perceber a realidade. O acesso pleno a essas funções permite que o indivíduo transponha seus estados comuns de percepção e compreensão da realidade, abrindo-o para uma nova forma de relação com o mundo que, dificilmente, pode ser comparada com a vida comum do dia a dia. O acesso e desenvolvimento pleno dos Centros Superiores acontecerão concomitantes com a formação dos chamados Corpos Superiores, que podem ser compreendidos como estruturas que servirão de arcabouço e repositório para esses níveis mais amplos da consciência.

Os Latifas (órgãos de percepção sutil)

Os cinco órgãos básicos dos sentidos (visão, paladar, olfato, tato, audição) participam na formação da representação da realidade, representação esta fundamental ao homem comum em seu dia a dia. Porém, existem outros órgãos que permitem outros estados de percepção mais sutil e que tornam possível a apreensão da realidade dentro de outra perspectiva, possibilitando a aquisição de conhecimentos também de outra ordem. No Sufismo, esses órgãos de percepção sutil correspondem aos Latifas (Lataif-i-Khamsa), sendo a palavra Lataif (ou Latif) traduzida como sutil ou sutileza.

Demais textos:

Uma Introdução ao Quarto Caminho

Quarto Caminho é o nome dado à escola de Gurdjieff.  As observações que ele fez do estado do ser humano levaram-no à conclusão de que, por estar sujeito a condições adversas o homem vive em um nível de consciência muito abaixo de sua capacidade potencial.  A essa condição ele chamou de “estar adormecido,” e a busca por mudar esse estado tornou-se a pedra fundamental de todo o seu trabalho. O Quarto Caminho é descrito como a integração das três dimensões fundamentais do ser humano, o pensamento, a emoção e o corpo em uma única proposta de desenvolvimento.

Uma biografia resumida G. I. Gurdjieff

Gurdjieff (1866-1949) nasceu na fronteira da Armênia, em Alexandropol. É o fundador do Quarto Caminho, uma escola que visa despertar seus alunos para uma nova perspectiva de si mesmo e da realidade. O corpo de conhecimento de Gurdjieff consiste em uma das tentativas mais importantes, que surgiu ao longo da humanidade, de promover um crescimento genuíno do ser humano. Por ser extremamente direto, prático e objetivo, ele oferece pouco espaço seja para a condescendência com o estado de adormecimento ou ilusões e fantasias acerca de um falso crescimento.

Sufismo

Em termos gerais, o Sufi é aquele que acredita que é possível ter uma experiência direta de presença divina, e que está preparado para sair de sua vida rotineira para se colocar debaixo das condições e meios que lhe permitam chegar a este objetivo. Neste contexto, o Sufi é considerado como o protótipo de todo místico que busca atingir um estado onde criador e a criação contemplam-se e se fundem. Nesse processo a vida ganha novo significado e as experiências, um novo contexto muito mais profundo e integrador.

Essência e Personalidade

A potencialidade da expressão da Essência é a totalidade do próprio Ser, mas ao longo do crescimento e aprendizado do indivíduo cristaliza-se ao redor da identidade, uma série de elementos, valores e comportamentos externos a esta estrutura primordial. Esses elementos acabam por formar uma outra estrutura que funciona de forma condicionada e inconsciente e que bloqueia o desenvolvimento da Essência. Esta nova estrutura é chamada de personalidade e, no processo de sua formação, a consciência vai adormecendo. A identificação da sensação de ser com os elementos da personalidade é chamada de Ego, e este definirá a forma com que a vida será contemplada, desvinculada dos elementos e potencias Essenciais.

Raio de Criação

O raio de criação é um modelo cosmológico apresentado por Gurdjieff para representar o processo criativo que deu origem ao Universo e que, por sua vez, serve de mapa para estruturar um caminho de retorno e desenvolvimento para o indivíduo.

O Eneagrama e as Leis Cósmicas

O eneagrama parece ter sido apresentado no Ocidente, em sua forma atual, por Gurdjieff. Esse símbolo é bastante citado nos estudos do Quarto Caminho e é um dos pontos fundamentais de todo o sistema gurdjeffiano. O eneagrama é um símbolo cuja representação gráfica é de uma esfera dividida em nove partes. Essa figura encerra relações matemáticas simples e surpreendentes e representa a integração das 2 leis cósmicas fundamentais apresentadas por Gurdjieff: a Lei de três e a Lei das Oitavas.

Eneagrama: Uma nova abordagem

Neste novo modo de apresentar o Eneagrama, além dos elementos constituídos pelos nove pontos com os dois caminhos, internos e externos, apresentados acima, ele é divido em três segmentos. Cada segmento contém uma tríade, e a diagonal do triângulo interno que liga cada um dos choques, recebe também um significado. Este por sua vez torna-se a energia, ou qualidade, que permeia e dá o horizonte ao segmento de cada tríade. Ele pode ser analisado como o traço principal do segmento, a qualidade ou energia faltante, que deve ser adquirida ao trabalharmos cada uma das tríades.

Atenção

A Atenção consiste em uma ferramenta que está na base do desenvolvimento da consciência. Por isso é necessário buscar compreender estes duas faculdades dentro de uma perspectiva prática, que determine um processo gradual de experimentação. E aqui está a primeira dificuldade, pois a maioria dos indivíduos acredita já possuir, de forma inata, uma capacidade bem desenvolvida de consciência e de Atenção. Mas, se a intenção for dar início a um processo de desenvolvimento interno que possibilite conhecer e ampliar a própria expressão do ser, então é necessário checar essas supostas capacidades e confronta-las com as potencialidades inerentes ao ser humano.

Recordação de Si

A Recordação de Si consiste em uma das primeiras e mais importantes ferramentas, uma vez que, visa  libertar a sensação de ser e, portanto a própria identidade, do processo de identificação e da personalidade. Assim, o individuo pode desenvolver a capacidade de sentir a si mesmo sem as referências e associações da personalidade.

Auto observação

A Auto Observação implica no desenvolvimento de uma atitude de observar a realidade e ao mesmo tempo, observar a si mesmo, permitindo, num primeiro momento, estudar como a personalidade reage frente aos eventos. Esse objetivo inicial consiste em adquirir uma maior consciência dos filtros citados acima e perceber de forma imparcial, como os limites, condicionamentos e conteúdos da personalidade influenciam na percepção.

Presença

A prática do estado de Presença busca retirar as pessoas de seus estados mais comuns, que são caracterizados por um sono acordado, onde o devaneio e a fantasia são a regra. Nesse estado, o indivíduo permanece separado do momento presente, sendo esta uma das principais características da vida mecânica. Esse estado possibilitará uma nova relação consigo mesmo e com a vida, um estado que não pode nem mesmo ser comparado com o sono acordado. Mas, para atingi-lo, será necessário libertar a própria identidade dos condicionamentos da personalidade e fundamenta-la em uma nova perspectiva.

Nafs (eu, ego ou alma)

A palavra Nafs é o termo árabe (no singular) atribuído para eu, ego e alma. Na tradição sufi, ele tanto indica o eu que se limita aos ditames do ego e reduz o ser humano aos seus aspectos mais egoístas, quanto ao conceito do eu como algo que pode ser desenvolvido através de vários níveis, de forma consciente e volitiva. Para esta segunda definição, são utilizados estágios de desenvolvimento do eu que vão desde a quase inconsciência, onde a alma está isolada da totalidade da qual ela participa, até estágios onde a consciência é plena, e abarca toda criação, de tal forma a transformar-se em dimensões de seu próprio ser.

Níveis de Consciência

As definições mais básicas de consciência sugerem que ela consiste numa capacidade de estar ciente de si mesmo e do que está ao seu redor. Assim, antes mesmo de se iniciar qualquer discussão sobre consciência, deve ficar claro o que está sendo considerado como o eu, a realidade, e qual é o limite que existe (se é que há um limite) em termos do “estar ciente” dessas duas coisas. A partir dessas considerações será possível perceber porque as perspectivas universais e pessoais da consciência não podem ser consideradas como sendo excludentes, e que no fundo, nem mesmo existem duas dimensões.

Diálogo Mental

O diálogo mental consiste numa atividade mental constante e mecânica e é uma das características do nível de consciência equivalente ao estado de adormecimento. A identificação com os pensamentos provê sustentação para uma série de fantasias acerca de si mesmo, que acarreta uma sensação ilusória de identidade – a isso, o Quarto Caminho atribui o nome de “falso eu”. Esse aspecto acaba por gerar também, uma perspectiva fantasiosa da própria realidade, onde a relação que se estabelece com ela, acaba sendo limitada por esses conteúdos ilusórios do “falso eu”.

Emoções negativas

Ao longo da formação da personalidade certos padrões repetitivos destas respostas são estabelecidos, e assim o indivíduo, mesmo frente a uma realidade que é sempre nova e fundamentada no momento presente, se volta para os conteúdos prévios, evocando emoções e representações condicionadas.  Essas emoções condicionadas e repetitivas são chamadas de Emoções Negativas. A tentativa em superar as Emoções Negativas equivale a fazer um esforço para modificar a forma como se recebe e se representa internamente os estímulos, e assim, romper certos hábitos condicionados.

Movimentos Gurdjieffianos e as Danças Sagradas

Movimentos é uma técnica onde são utilizadas sequências de posturas e movimentos corporais bem definidos, e que possuem algumas características, tais como, a dificuldade, a diferença em relação ao gestual habitual, a ausência de sincronismo, etc. Esta técnica tem como finalidades básicas o treinamento da atenção em vários níveis, proporcionar controle sobre o corpo e os estados internos, a geração de estados emocionais determinados em associação com as posturas e em níveis mais elevados, o aprofundamento dos estados da consciência.

Movimentos invocacionais e as emoções

Gurdjieff sugeriu uma técnica de trabalho chamada de Movimentos Invocacionais em que os praticantes são conduzidos a executarem uma série de posturas encadeadas, associadas a determinadas emoções específicas.  Dessa forma, o praticante tem a chance de gerar e manter voluntariamente estados emocionais específicos, aprofundando assim seu conhecimento e a experiência prática de cada emoção. Com o tempo as emoções passam a representar experiências extremamente profundas e enriquecedoras, abrindo-se um universo completamente novo e desconhecido.